{"id":2082,"date":"2025-08-04T08:38:24","date_gmt":"2025-08-04T11:38:24","guid":{"rendered":"https:\/\/cafecommessias.com.br\/?p=2082"},"modified":"2025-08-04T08:39:56","modified_gmt":"2025-08-04T11:39:56","slug":"773-das-ubss-no-nordeste-funcionam-com-um-so-medico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cafecommessias.com.br\/?p=2082","title":{"rendered":"77,3% das UBSs no Nordeste funcionam com um s\u00f3 m\u00e9dico"},"content":{"rendered":"\n<p>O Censo Nacional das Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS) 2025 revela um dado preocupante sobre o funcionamento das unidades de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade em todo o Pa\u00eds. De acordo com o estudo, 77,3% das UBS do Nordeste t\u00eam apenas um m\u00e9dico. Outras 10,9% contam com dois profissionais, e apenas 3,1% t\u00eam tr\u00eas m\u00e9dicos. Em contrapartida, 4,5% das unidades n\u00e3o contam com nenhum m\u00e9dico. A m\u00e9dia nacional apresenta um quadro ligeiramente mais favor\u00e1vel: 59,3% das UBS no Brasil t\u00eam um m\u00e9dico e 3,8% das unidades em todo o Pa\u00eds funcionam sem nenhum m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o levantamento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, divulgado no \u00faltimo dia 30 de junho, com dados referentes a junho e setembro do ano passado, traga apenas o n\u00famero de estabelecimentos por estado, os dados regionais mostram que a maior parte das UBS no Nordeste funciona com apenas um m\u00e9dico, e uma parcela ainda opera sem nenhum profissional da medicina. No Rio Grande do Norte, onde 1.232 UBS responderam ao censo, a realidade tende a seguir o mesmo padr\u00e3o, como apontam relatos de usu\u00e1rios e profissionais da \u00e1rea.<br>A reportagem da TRIBUNA DO NORTE buscou as secretarias de Sa\u00fade do Estado e de Natal. A Secretaria de Estado da Sa\u00fade P\u00fablica (Sesap) disse que a organiza\u00e7\u00e3o das UBS \u00e9 de compet\u00eancia dos munic\u00edpios e que \u00e9 respons\u00e1vel por dar \u201capoio na pol\u00edtica de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, o que vem fornecendo por meio de qualifica\u00e7\u00e3o profissional e suporte na habilita\u00e7\u00e3o de equipes que atuam na \u00e1rea\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A Secretaria de Sa\u00fade de Natal informou que todas as 60 Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS) da capital contam atualmente com ao menos dois m\u00e9dicos em atua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havendo nenhuma unidade sem profissional da medicina. Em rela\u00e7\u00e3o aos enfermeiros, apenas uma unidade possui apenas um profissional, enquanto as demais contam com dois ou mais. A pasta aponta como principal desafio a dificuldade de contratar e reter m\u00e9dicos e enfermeiros, devido \u00e0 alta rotatividade e \u00e0 competi\u00e7\u00e3o de mercado. Um estudo est\u00e1 em andamento para viabilizar a contrata\u00e7\u00e3o de mais profissionais, com foco no fortalecimento dos servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, especialmente em regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A situa\u00e7\u00e3o em Natal reflete parte desse desafio, analisa Geraldo Ferreira, presidente do Sindicato M\u00e9dico do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN). \u201cTomamos conhecimento que em Natal n\u00f3s temos 79 m\u00e9dicos do Programa Mais M\u00e9dicos. Metade das equipes de Natal s\u00e3o do Programa Mais M\u00e9dicos. A Prefeitura tem um d\u00e9ficit muito grande de contrata\u00e7\u00e3o. O programa \u00e9 importante, mas a gente tem que lembrar que esse programa \u00e9 de estagi\u00e1rios. Eles n\u00e3o v\u00e3o ficar permanentes, a Prefeitura tem que fazer concurso. E o Brasil como um todo tem que fazer concurso\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Al\u00e9m da falta de concursos p\u00fablicos para garantir a perman\u00eancia de m\u00e9dicos, Ferreira critica o modelo adotado atualmente. \u201cO modelo que est\u00e1 se adotando para a sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 o que beneficia mais profundamente a popula\u00e7\u00e3o. Este modelo precisa ser baseado em concurso e em fixa\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico. O que est\u00e1 havendo no Brasil \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o do Programa Mais M\u00e9dicos, que todo munic\u00edpio corre atr\u00e1s, porque a verba \u00e9 federal. E depois o modelo que \u00e9 mais imoral ainda, que \u00e9 o modelo de terceiriza\u00e7\u00f5es, onde o m\u00e9dico n\u00e3o tem direito nenhum, o dinheiro fica com a empresa, os atrasos s\u00e3o de quatro a seis meses e h\u00e1 uma alta rotatividade desses m\u00e9dicos\u201d, pontua.<\/p>\n\n\n\n<p><br>O Censo das UBS \u00e9 um levantamento feito pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade com o objetivo de mapear a estrutura, os servi\u00e7os oferecidos e os recursos humanos dispon\u00edveis nas unidades de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria em todo o Pa\u00eds. A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o ouviu aproximadamente 44 mil estabelecimentos para atualizar o retrato da rede que representa a porta de entrada do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). O estudo coleta informa\u00e7\u00f5es sobre o n\u00famero de m\u00e9dicos e enfermeiros, condi\u00e7\u00f5es de acessibilidade, oferta de servi\u00e7os, informatiza\u00e7\u00e3o, presen\u00e7a de farm\u00e1cia, consult\u00f3rios e salas especializadas, entre outros aspectos fundamentais para o funcionamento da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Realidade nas unidades natalenses<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os dados t\u00e9cnicos apontam para limita\u00e7\u00f5es estruturais, os relatos da popula\u00e7\u00e3o mostram como essa realidade se manifesta no dia a dia. Maria Salete, de 75 anos, aposentada e moradora do bairro Potengi, frequenta a UBS Soledade I, na regi\u00e3o da Pedra do Sino. Ela lembra que a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi mais complicada para buscar atendimentos e fazer tratamentos nas unidades p\u00fablicas de sa\u00fade. Apesar de ainda encontrar dificuldades de marca\u00e7\u00e3o de exames e na pr\u00f3pria infraestrutura da unidade, a aposentada diz que j\u00e1 enfrentou outros problemas.<\/p>\n\n\n\n<p><br>\u201cJ\u00e1 aconteceu de faltar m\u00e9dicos, demora no atendimento, \u00e0s vezes a quest\u00e3o das fichas tamb\u00e9m era bastante dif\u00edcil, a pessoa tinha que vir aqui de madrugada ficar esperando, ent\u00e3o falta essa organiza\u00e7\u00e3o. Hoje a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 melhor, mas sempre pode melhorar. Acabei de ver que minha press\u00e3o est\u00e1 17 por 8, est\u00e1 alta, ent\u00e3o j\u00e1 vou ter que ir para a UPA. \u00c9 dif\u00edcil tamb\u00e9m esse deslocamento para uma pessoa da minha idade, eu n\u00e3o estou aguentando, mas \u00e9 isso. Vai dar tudo certo com f\u00e9 em Deus\u201d, desabafa.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e9 observada por Ana Carla, de 42 anos, cozinheira e moradora do bairro Planalto. Ela frequenta a UBS Ros\u00e2ngela Lima, que atende boa parte da popula\u00e7\u00e3o dos bairros da zona Oeste. \u201cAqui na unidade sempre sou bem atendida, todas as vezes que precisei, mas acontece muito isso na Sa\u00fade como um todo, da pessoa precisar e n\u00e3o ter m\u00e9dico. Aqui por enquanto est\u00e1 funcionando, s\u00f3 a quest\u00e3o da demora que \u00e9 um pouco dif\u00edcil, \u00e0s vezes o sistema fica fora do ar tamb\u00e9m e isso atrasa a nossa vida\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A falta de profissionais tamb\u00e9m traz mem\u00f3rias dolorosas para muitos usu\u00e1rios. Regina Costa, de 52 anos, dona de casa e moradora de Bras\u00edlia Teimosa, lembra de um epis\u00f3dio traum\u00e1tico. \u201cHoje as coisas est\u00e3o bem melhores, a gente consegue marcar exames, tem m\u00e9dicos, mas j\u00e1 aconteceu comigo de passar situa\u00e7\u00f5es de n\u00e3o ter profissionais, passei at\u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o em que perdi minha m\u00e3e por incompet\u00eancia no atendimento. Foi uma situa\u00e7\u00e3o bem traum\u00e1tica. Seria preciso a gente ter mais profissionais qualificados e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho tamb\u00e9m, porque a gente v\u00ea que falta equipamento, medicamento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Magno Brito, de 55 anos, estivador e tamb\u00e9m morador de Bras\u00edlia Teimosa, compartilha a mesma percep\u00e7\u00e3o. \u201cInfelizmente quem n\u00e3o passou por isso, conhece algu\u00e9m que precisou de atendimento e quando chegou na unidade n\u00e3o havia profissionais para receber a pessoa. J\u00e1 passei por isso e \u00e9 muito ruim para o trabalhador, para quem n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de pagar um plano de sa\u00fade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Presen\u00e7a de profissionais \u00e9 limitada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Censo Nacional das Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS) de 2024 tra\u00e7ou um panorama da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria no Brasil, revelando que, mesmo com mais de 44 mil unidades em funcionamento, muitas delas ainda operam com quadro profissional reduzido. Os dados divulgados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostram que a maioria das UBS funciona com equipes enxutas, especialmente no que se refere \u00e0 presen\u00e7a de m\u00e9dicos e enfermeiros, fundamentais para o atendimento cont\u00ednuo e de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Segundo o levantamento, 59,3% das UBS no Brasil contam com apenas um m\u00e9dico. Outras 14,8% possuem dois profissionais, 6,9% t\u00eam tr\u00eas e 15,1% contam com quatro ou mais. Apesar disso, ainda existem 1.724 unidades \u2014 o equivalente a 3,8% do total \u2014 que operam sem nenhum m\u00e9dico. Esses dados preocupam especialistas, pois indicam a persist\u00eancia de um gargalo hist\u00f3rico no provimento de profissionais da medicina nas redes de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A situa\u00e7\u00e3o com os enfermeiros apresenta um quadro semelhante. Das 44.938 UBS respondentes no pa\u00eds, 65,8% funcionam com apenas um enfermeiro. Em 15,7% das unidades h\u00e1 dois profissionais, enquanto 6,6% contam com tr\u00eas e 8,6% com quatro ou mais. No entanto, 3,3% das unidades ainda operam sem nenhum enfermeiro, o que compromete n\u00e3o apenas o atendimento cl\u00ednico, mas tamb\u00e9m os processos de acompanhamento e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>N\u00fameros<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estabelecimentos no RN<br><\/strong>977 \u2013 Unidades b\u00e1sicas<br>249 \u2013 Postos de sa\u00fade<br>1 \u2013 Apoio \u00e0 Fam\u00edlia<br>5 \u2013 Unidades Mistas<br>Total: 1.232 UBS<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e9dicos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Brasil<\/strong><br>Sem m\u00e9dicos: 1.724 (3,8%)<br>1 m\u00e9dico: 26.651 (59,3%)<br>2 m\u00e9dicos: 6.668 (14,8%)<br>3 m\u00e9dicos: 3.093 (6,9%)<br>4 ou mais: 6.775 (15,1%)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nordeste<\/strong><br>Sem m\u00e9dicos: 794 (4,5%)<br>1 m\u00e9dico: 13.702 (77,3%)<br>2 m\u00e9dicos: 1.926 (10,9%)<br>3 m\u00e9dicos: 557 (3,1%)<br>4 ou mais: 751 (4,2%)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>44 mil<\/strong>&nbsp;unidades em funcionamento no Brasil<br><strong>65,8%<\/strong>&nbsp;funcionam com apenas um enfermeiro<\/p>\n\n\n\n<p><em><sub>Por Censo das UBS\/Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/sub><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><em>PUBLICIDADE<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"150\" src=\"https:\/\/cafecommessias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/expofruit-destaque-2025-28jan2025-1024x150.gif\" alt=\"\" class=\"wp-image-2085\" srcset=\"https:\/\/cafecommessias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/expofruit-destaque-2025-28jan2025-1024x150.gif 1024w, https:\/\/cafecommessias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/expofruit-destaque-2025-28jan2025-300x44.gif 300w, https:\/\/cafecommessias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/expofruit-destaque-2025-28jan2025-768x113.gif 768w, https:\/\/cafecommessias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/expofruit-destaque-2025-28jan2025-1536x225.gif 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Censo Nacional das Unidades B\u00e1sicas de Sa\u00fade (UBS) 2025 revela um dado preocupante sobre o funcionamento das unidades de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade em todo o Pa\u00eds. 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