Crise no comércio exterior ameaça empregos no Rio Grande do Norte

A aplicação da tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos já provoca efeitos severos no Rio Grande do Norte. Principais setores exportadores do estado, o salineiro e o pesqueiro suspenderam embarques para o mercado norte-americano, enquanto aguardam a efetivação de medidas anunciadas pelos governos estadual e federal. Empresários e representantes da indústria afirmam que, sem avanços rápidos na regulamentação dos programas de apoio e sem alternativas consolidadas de novos mercados externos, há risco de suspensão de contratos de trabalho e queda na produção nos próximos meses.

O presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do RN (Sindipesca), Arimar França Filho, explica que a frota de atum que chega neste período tem sido direcionada ao mercado interno. “A exportação de pesca costeira está sendo suspensa e agora as embarcações de atum estão chegando e a gente está destinando ao mercado interno. Com relação ao Governo do RN, poucas empresas foram agraciadas com o crédito que tínhamos de imposto e o setor de pesca não tem Proedi”, relata.
O dirigente acrescentou que o setor aguarda a regulamentação do Plano Brasil Soberano para compreender de que forma o crédito federal será acessado. “Sem regulamentação a gente não tem noção, acesso ao crédito, como funciona o Reintegra para pesca, o acesso, as taxas de juros, a forma de pagamento. Esse dinheiro vai ser emprestado mas tem que ser pago”, pontua. O setor pesqueiro emprega entre 1,2 mil e 1,5 mil pessoas no estado. De acordo com Arimar, metade dos trabalhadores foi colocada em férias desde o início da vigência da tarifa.
Na indústria salineira, que responde por 98% da produção nacional, o cenário também é de incerteza. “O Sal continua incluído no tarifaço dos EUA. Os clientes americanos não aceitam receber o sal brasileiro devido à taxação de 50%. Portanto, os embarques estão suspensos. Ainda poderão ocorrer alguns embarques por força de contratos que não puderem ser rescindidos, mas, com pesados prejuízos para os exportadores brasileiros”, disse Airton Torres, presidente do Sindicato da Indústria de Extração do Sal do RN.
Mesmo com a paralisação dos embarques, ele afirma que não há perspectiva de cortes de trabalhadores no curto prazo, em razão do ciclo anual do processo produtivo do sal. Hoje, o setor emprega mais de quatro mil pessoas de forma direta. “[Estamos] ultimando providências para amenizar os prejuízos dos exportadores através de ampliação do benefício do Proedi. Quanto ao Plano Brasil Soberano, a indústria salineira está trabalhando para que o sal nacional seja incluído no Reintegra. Enquanto isso não ocorrer, não vislumbramos benefício à indústria salineira por parte do governo federal”, considera.
Tanto o setor salineiro quanto o pesqueiro ressaltam que as alternativas ao mercado norte-americano são bastante restritas. No caso do sal, as exportações se limitam à costa leste dos Estados Unidos e à costa oeste africana, sem viabilidade logística para destinos mais distantes, embora haja estudos sobre a possibilidade de atingir a Europa. Já na pesca, a principal opção seria o mercado comum europeu, mas o Brasil permanece impedido de exportar pescados para o bloco desde 2018, o que reforça a dependência do mercado americano e aumenta a pressão por soluções diplomáticas.
As sobretaxas começaram a valer no último dia 6 de agosto e atingiram os exportadores potiguares, que têm nos Estados Unidos o principal destino do sal marinho e do pescado, especialmente o atum. No dia 1º de agosto, o governo estadual havia anunciado a ampliação temporária do Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial (Proedi) e a duplicação dos créditos do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). No governo federal, foi lançado o Plano Brasil Soberano com uma série de medidas, como suspensão de tributos para empresas exportadoras e reforço ao Reintegra.

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Apoio insuficiente

De acordo com Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), já é possível sentir os efeitos. “O impacto imediato do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações potiguares, e consequentemente sobre a indústria, é inegável. Setores como o salineiro e o pescado já sentem a pressão de uma sobretaxa de 50% que compromete contratos em andamento, reduz margens de competitividade e ameaça a manutenção de empregos”, afirma.

Segundo ele, o apoio governamental não está sendo suficiente para enfrentar a dimensão do problema. “Em momentos de dificuldade, todo apoio é bem-vindo. Contudo, é inegável que as medidas anunciadas pelos governos estadual e federal permanecem insuficientes diante dos impactos do tarifaço imposto pelo governo Trump. São ações de efeito limitado, cuja eficácia só pode ser aferida a partir da realidade de cada setor e de cada empresa. O que se mostra verdadeiramente necessário é a reconstrução de uma relação diplomática sólida entre Brasil e Estados Unidos”, avalia.

Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) aponta que o tarifaço pode resultar na perda de até 146,6 mil empregos no Brasil em dois anos. Na avaliação da FIERN, ainda não é possível dimensionar com precisão os impactos em empregos e produção no RN, mas há risco real para setores mais intensivos em mão de obra. Serquiz afirma que cada contrato renegociado e cada contêiner retido representam ameaça direta ao emprego e à renda de milhares de famílias no estado.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE entrou em contato com a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação do RN (Sedec) para verificar atualizações no andamento das medidas anunciadas no Estado, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

por Redação Tribuna do Norte

Liderado por Cadu Xavier, RN dá passo histórico com Política Industrial

A governadora Fátima Bezerra assinou nesta sexta-feira (8), na sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), o projeto de lei que institui a Política Industrial do Estado. A proposta, fruto de um trabalho técnico minucioso conduzido pela Secretaria Estadual da Fazenda (SEFAZ), sob a liderança do secretário Cadu Xavier, será encaminhada à Assembleia Legislativa, estabelecendo um marco estratégico para o desenvolvimento econômico potiguar.

O projeto está em sintonia com a Nova Indústria Brasil, política do governo federal que retoma a agenda da reindustrialização. No RN, ele se soma ao fortalecimento de programas como o Proedi, reformulado em 2019 e que já ampliou de 120 para mais de 300 empresas beneficiadas, gerando mais de 55 mil empregos diretos e indiretos.

Além do projeto de lei, a solenidade contou também com a assinatura do decreto que cria o programa “RN + Moradia”, voltado a subsidiar a compra da casa própria por famílias de baixa renda, fomentando simultaneamente a construção civil e a geração de empregos.

“O RN + Moradia é uma iniciativa inovadora, que alia política habitacional e desenvolvimento econômico. É o presente e o futuro do Rio Grande do Norte. Ao garantir subsídios para que famílias de baixa renda realizem o sonho da casa própria, também movimentamos o setor da construção civil, geramos empregos e estimulamos a economia”, destacou o secretário Carlos Eduardo Xavier.

A governadora Fátima Bezerra ressaltou que o programa reafirma o compromisso social do governo: “Estamos falando de dignidade, cidadania e futuro. Com o RN + Moradia, damos às famílias mais vulneráveis a oportunidade real de conquistar seu lar, ao mesmo tempo em que fortalecemos um setor econômico vital para o nosso estado”.

Papel estratégico da Cadu

Com um histórico de articulação junto ao setor produtivo e à FIERN, Carlos Eduardo Xavier coordenou o desenho da Política Industrial, garantindo que o texto fosse construído de forma técnica, sustentável e alinhada às necessidades reais da economia potiguar. O secretário destacou que a iniciativa “representa segurança jurídica e visão de longo prazo, permitindo que o RN se posicione de forma competitiva no cenário nacional e internacional, atraindo investimentos e fortalecendo cadeias produtivas”.

A Política Industrial prevê: Interiorização da indústria potiguar, Fortalecimento do encadeamento produtivo e do associativismo industrial, Fomento à inovação e ao desenvolvimento tecnológico, além da inserção das indústrias potiguares em cadeias globais de alto valor agregado.

“É um estímulo à boas práticas de governança corporativa e sustentabilidade, melhoria do ambiente de negócios e a atração e desenvolvimento de data centers, aproveitando o potencial energético renovável do RN”, finalizou o secretário.

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Contra tarifaço, Fátima sugere mais crédito e compras governamentais

Sugestões foram apresentadas pela governadora do RN na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), defendeu nesta terça-feira 5 a adoção de medidas excepcionais para socorrer empresas atingidas pelo tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos. A partir desta quarta-feira 6, produtos brasileiros serão taxados em 50% pela gestão de Donald Trump, o que vai inviabilizar este mercado para centenas de setores.

Fátima sugeriu a abertura de linhas de crédito específicas para esses exportadoras. Além disso, propôs que o poder público compre produtos que não poderão mais ser exportados.

“Nós, governadores do Nordeste, nos colocamos à disposição do governo federal para enfrentar a situação e, se necessário, adotar ações emergenciais para apoiar os exportadores, incluindo crédito e compras governamentais”, afirmou a governadora.

Fátima Bezerra fez a declaração ao participar da reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República, em Brasília. O encontro do chamado Conselhão teve a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice Geraldo Alckmin (PSB) e demais autoridades.

A governadora destacou que o RN e os demais estados da região Nordeste serão mais atingidos nos setores da fruticultura, pescado, mel, sal e minérios. “Em nossa região, esses segmentos são muito importantes para a economia e empregam muita gente. Precisamos de medidas que possam excluir a ameaça de desemprego e garantir o sustento de milhares de trabalhadores, suas famílias e empresas. Medidas que permitam expandir e diversificar a inserção internacional dos produtos potiguares e nordestinos”, disse Fátima Bezerra.

Presidente do Consórcio Nordeste, o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), reforçou a necessidade de buscar saídas para o tarifaço e a união dos governadores dos estados do Nordeste em apoio ao Governo Federal.

Em seu discurso, Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre um plano de contingência para proteger os trabalhadores e empresas brasileiras. “Vamos recorrer a todas as medidas cabíveis para defender nossos interesses. Já atuávamos para fortalecer nosso comércio exterior, desde 2023 voltamos a nos relacionar com o mundo, com países de todas as religiões, credos e origens, abrimos novos mercados. Seguiremos independentes, com liberdade para negociar com todos. O Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável é a cara do povo brasileiro que constrói nossa realidade de forma compartilhada com todos os segmentos da sociedade para criar um país rico e sustentável, um mundo de paz, mais solidário e menos desigual, livre das crises ambiental e climática”, disse Lula.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo federal está dando a atenção necessária à medida do governo dos EUA que desconhece 200 anos de boas relações entre os dois países. Haddad registrou a importância do Conselhão para a economia. E afirmou que foram elaborados cinco projetos de lei para serem votados no Congresso tratando da política de crédito e financiamento. Citou também a reforma tributária e a transformação digital.

“O Brasil é grande demais para ser colônia ou satélite de alguém. Na transformação ecológica vamos produzir aqui painéis solares, baterias, equipamentos para energia limpa. Somos amigos de todos os países do mundo e queremos mais parcerias concretas e com benefícios mútuos, diferente do tarifaço. Acreditamos no multilateralismo e na soberania nacional”.

‘Não vou ligar para o Trump para conversar, porque ele não quer’, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que o Brasil merece respeito e criticou a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao anunciar novas taxações contra o País.
“O presidente americano não tinha direito de anunciar taxações como anunciou ao Brasil”, disse durante abertura da 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, no Palácio Itamaraty.

Segundo Lula, Trump poderia ter ligado a ele ou ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PB), já que haveria disposição para diálogo. Ele acrescentou ainda que a medida não se trata de uma questão política, mas sim eleitoral.

O presidente reforçou que o Brasil merece respeito no cenário internacional e destacou seu papel como exemplo de País negociador. “Tem gente que acha que a gente é vira lata, tem gente que não gosta de se respeitar. E ninguém pode dizer que tem um governo que gosta mais de negociar do que nós. Eu nasci na vida política negociando […] nesse mundo, ninguém me dá lição de negociação”, afirmou, ao reiterar que já lidou com vários magnatas.

Ele criticou a ausência de figuras nacionalistas no País e emendou que, hoje, os empresários são mais mercantilistas. O presidente voltou a afirmar que o Brasil não pode depender de um único país e reiterou que está cansado de ser tratado como pertencente ao Terceiro Mundo.

O ministro das Relações Internacionais, Mauro Vieira, disse que o Itamaraty continua mobilizado contra o tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil e que o governo está coordenando uma resposta a ser apresentada até o dia 18 de agosto.
“Sobre a investida da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, que questiona o nosso Pix e outras práticas brasileiras absolutamente legítimas, gostaria de informar que o Itamaraty está condenando a preparação da resposta a ser apresentada pelo governo brasileiro no próximo dia 18 de agosto”, afirmou o ministro na abertura da 5ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, no Palácio Itamaraty.

“O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social sustentável agrega talentos, experiência e articulação. Representa a independência, a força e o dinamismo do povo brasileiro. Será, não tenho dúvidas, instância estratégica no amplo esforço de defesa da economia nacional e do direito soberano do Brasil de definir o seu próprio destino”, afirmou.

por Agora RN

Tarifaço começa a valer sem plano de socorro do governo às empresas

Haddad disse que plano está pronto e irá à validação do Palácio do Planalto ainda nesta quarta-feira (6)

A tarifa de 50% imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil começa a valer nesta quarta-feira (6), sem o governo federal ter apresentado um “plano de contingência” para apoiar empresas exportadoras afetadas — o que leva a reclamações de setores da economia.

Empresários que se reuniram com ministros do governo na última segunda-feira (4) esperavam a apresentação do plano de socorro e relataram “frustração” com o teor do encontro. Cerca de 35,9% das exportações brasileiras já estão sujeitas às taxas, que em alguns setores inviabiliza as vendas.

Um dos setores insatisfeitos é o da pesca. Eduardo Lobo, presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), disse à CNN que — além de faltar sinalização do governo sobre uma data para o socorro —, as medidas ventiladas na reunião atenderiam o segmentos somente no médio e longo prazo.

Parte dos executivos deixaram a reunião com a percepção de que as negociações diplomáticas foram de fato destravadas, mas avaliam que a expansão da lista de exceções ou redução da alíquota de 50% não será imediata. Também por isso, reclamam da alegada demora.

Segundo apuração da CNN, industriais também elevam o tom de cobrança para que as medidas sejam apresentadas. Há uma semana a CNI (Confederação Nacional da Indústria) levou ao governo uma lista de oito ações que poderiam ajudar os setores da economia.

Na manhã desta quarta-feira, na portaria do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad disse que o texto do plano “está pronto” e irá ainda hoje para o Palácio do Planalto. A partir daí, dependerá do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele será o responsável por definir o que sairá do papel.

Haddad sinalizou que as ações devem ser viabilizadas via medida provisória (MP). Também confirmou que fazem parte do cardápio de medidas a concessão de crédito às empresas impactadas e o aumento das compras governamentais.

Setores fazem sugestões

O governo realizou um longo processo de “ouvidoria” e recebeu sugestões de medidas a serem adotadas como socorro. Dentre as pedidas da CNI, por exemplo, apareceu o adiamento, por 120 dias, de pagamento de todos os tributos federais, incluindo as contribuições previdenciárias.

A relação de medidas contém também uma linha de financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Social) com juros mais baixos, entre 1% e 4% ao ano, para capital de giro de empresas que tiverem suas exportações impactadas.

Outros dois pedidos vem sendo recorrentes. Primeiro: os empresários querem prazos mais confortáveis para ACCs (adiantamentos de contrato de câmbio). A modalidade é muito usada por empresas que exportam com regularidade. São adiantamentos do valor negociado a fim de que essas companhias tenham capital de giro suficiente para rodar sua produção e entregar as mercadorias vendidas.

A segunda é diz respeito ao Reintegra, regime especial que devolve, parcial ou totalmente, o resíduo tributário de empresas exportadoras. Recentemente, para micro e pequenas empresas, a alíquota foi elevada para 3% sobre o valor exportado. A pedida é de que o benefício seja expandido a todas as empresas afetadas pelas tarifas.

por CNN

Confira as prioridades do Congresso na volta do recesso parlamentar

Os deputados e senadores brasileiros voltam do recesso parlamentar nesta terça-feira (5) com previsão de votar, neste segundo semestre, entre outras pautas, a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil; a taxação das bets e de títulos de investimentos isentos; e a cassação da deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Também deve ser destaque neste semestre a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que define as prioridades do orçamento do próximo ano, e que já deveria ter sido enviada à sanção em julho, segundo define a Constituição.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, de origem do Executivo, também deve ocupar os parlamentares. Aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a PEC aguarda instalação da Comissão Especial.

Outras prioridades são o projeto para regulação da Inteligência Artificial (IA), em tramitação na Câmara; e a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da fraude do INSS, já autorizada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Também devem ser destaque o projeto de novo código eleitoral, em tramitação no Senado; e a Medida Provisória (MP) do setor elétrico, que regula a produção, distribuição e comercialização da energia no país e prevê isenção das conta para famílias que consomem até 80 quilowatts-hora (kWh) por mês, o pode beneficiar até 60 milhões de pessoas, segundo cálculos do governo.

Isenção do IR
Proposta de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a isenção do IR e ampliação das faixas é uma das principais prioridades do governo e do Parlamento para este segundo semestre.

O Projeto de Lei (PL) 1.087/2025 foi aprovado em julho em comissão especial e está pronto para ir ao plenário da Câmara. A proposta prevê isenção do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil mensais e reduz parcialmente o imposto para aqueles que recebem até R$ 7 mil.

Os deputados aprovaram o parecer do relator, Arthur Lira (PP-AL), que, entre outros pontos, ampliou de R$ 7 mil para R$ 7.350,00 o valor para a redução parcial do imposto.

Para compensar a perda de arrecadação de impostos com a isenção, o projeto prevê a cobrança de uma alíquota extra progressiva de até 10% para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano, ou R$ 50 mil por mês. A alíquota máxima, de 10%, passará a ser cobrada das pessoas que ganham a partir de R$ 1,2 milhão por ano.

MP ‘BBB’
Umas das votações importantes para o governo é a da MP 1.303/2025, que prevê o aumento da taxação das empresas de apostas on-line, as chamadas bets, e a tributação de títulos de investimentos hoje isentos, como a Letra de Crédito Agropecuário (LCA).

Em convenção do PT neste domingo (3), a ministra das relações institucionais, Gleisi Hoffman, destacou que essa é uma prioridade, junto com o projeto de isenção do IR.

“Não é possível que os muito ricos não paguem imposto neste país, e que o imposto recaia sobre a classe trabalhadora. Nós temos que taxar bancos, bilionários e as bets [BBB]. Essa gente não pode continuar ganhando dinheiro e não contribuindo com a riqueza do Brasil”, afirmou a ministra.

Na próxima quarta-feira (6), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, será ouvido sobre o tema na Comissão Mista criada para analisar a MP 1.303.

Cassações
Além disso, o Partido dos Trabalhadores (PT) informou que vai pressionar pela cassação do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que articulou, nos Estados Unidos (EUA), as sanções contra a economia brasileira. Ele é investigado por obstrução à Justiça em relação ao processo que investiga a tentativa de golpe de Estado pós eleição de 2022.

Outro parlamentar que pode perder o mandato neste semestre é o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que teve a cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Câmara. A decisão precisa ser confirmada no Plenário.

Ele é acusado de quebra de decoro por expulsar da Câmara, aos pontapés, um militante de extrema-direita que o provocava. Glauber chegou a fazer greve de fome contra o processo contra ele.

Anistia e STF
Por outro lado, a oposição promete priorizar, neste semestre, o projeto de lei que anistia os condenados por tentativa de golpe pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e outras medidas que limitam as ações do STF, como o projeto que reduz o alcance das decisões individuais de ministros e o que reduz os partidos que podem questionar no Supremo as decisões do Legislativo, medida essa que tem o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

Mineração em terras indígenas
Outra pauta que pode avançar no Congresso, ainda neste ano, é a que autoriza a mineração em terras indígenas. Alcolumbre criou, em abril, grupo de trabalho (GT) para apresentar, até final de outubro, proposta para regular mineração em territórios indígenas.

Já em agosto, a Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado prevê votar projeto que autoriza garimpo em terras indígenas, sob a relatoria da senadora Damares Alves (Republicanos-DF).

Reforma administrativa
A reforma administrativa é outro debate que pode ter avanços em sua tramitação no Congresso Nacional. No primeiro semestre, o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), criou GT para elaborar proposta de mudanças no regime do funcionalismo público do país, sob a relatoria do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ).

Por Agência Brasil

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Comércio do Brasil é o mais vulnerável a colapso da OMC, aponta estudo

Um estudo realizado pela consultoria Oxford Economics, a pedido da ICC (Câmara de Comércio Internacional), mostra que o Brasil pode ser um dos países mais prejudicados pelo colapso total da OMC (Organização Mundial do Comércio), que atua como um balizador do comércio internacional.

Segundo o relatório, que foi realizado antes da onda de tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump e que traçou cenários em um mundo sem a atuação da OMC, o Brasil seria o mais vulnerável entre dez países em desenvolvimento analisados, podendo sofrer impactos substanciais nas exportações de “produtos não energéticos”, como alimentos e matérias-primas, ou seja, tudo aquilo que não envolva petróleo e seus derivados.

O documento alerta que o Brasil teria muito a perder com essa situação, porque o país depende das regras multilaterais para conseguir competir no comércio internacional, especialmente no setor agrícola. Se essas regras passarem a ser substituídas por disputas diretas entre países, como está ocorrendo neste momento com as ameaças e imposições do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a tendência é de que o Brasil saia perdendo, ao menos no curto prazo.

O estudo destaca que quase metade das exportações brasileiras vem de produtos agrícolas —como soja, carne bovina e açúcar— que são muito sensíveis a barreiras comerciais. Sem a OMC, esses produtos podem enfrentar taxas mais altas ou exigências sanitárias difíceis de cumprir, dificultando sua entrada em outros mercados.

“Tal projeção decorreria de três fragilidades interconectadas. Em primeiro lugar, a pauta exportadora nacional tem elevada dependência de commodities agrícolas (49% das exportações não energéticas). Ademais, produtos como soja, carne bovina e açúcar, que já são altamente protegidos, enfrentariam barreiras tarifárias e não tarifárias generalizadas”, afirma o relatório.

Outra dificuldade apontada diz respeito à limitada integração do Brasil com cadeias de valor internacionais, apesar das movimentações que envolvem o Mercosul, União Europeia e Brics.

A análise incluiu dez países em desenvolvimento: Brasil, Guatemala, Egito, Vietnã, Indonésia, Camarões, Turquia, África do Sul, China e Índia. Em um cenário sem OMC, estima-se que o comércio de bens desses países cairia em média 33%, com impactos ainda maiores nas nações de baixa renda, onde as exportações poderiam despencar até 43%.

As perdas no PIB (Produto Interno Bruto) de longo prazo variariam entre 3% e 6%, refletindo tanto a queda no comércio como no investimento estrangeiro direto, que também se reduziria entre 3% e 6%.

“Conforme a modelagem apresentada, o Brasil sofreria contração de aproximadamente 45% de suas exportações de bens não energéticos no longo prazo —o impacto mais acentuado dentre todas as economias estudadas”, aponta o relatório.

Na semana passada, em discurso durante reunião na OMC, o Brasil criticou indiretamente as tarifas impostas por Donald Trump e disse que está em curso um “ataque sem precedentes” ao sistema multilateral de comércio.

Hoje a OMC vive uma situação de impasse institucional e esvaziamento, principalmente por conta do bloqueio prolongado ao seu sistema de solução de controvérsias. Desde 2019, o órgão de apelação da OMC, que julga disputas comerciais entre países, está inoperante, porque os Estados Unidos seguem bloqueando a nomeação de novos juízes desse órgão. Isso criou um vácuo no sistema de resolução de disputas, travando o processo.

Por Folhapress

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Banco do Brasil perde R$ 7,7 bi em valor de mercado em 1 dia

O BB (Banco do Brasil) registrou nesta sexta-feira (1º) uma perda de R$ 7,7 bilhões em valor de mercado. As ações ordinárias (BBAS3) recuaram 6,85% no fechamento –estão cotadas a R$ 18,35 cada.

A instituição encerrou a semana com valor de R$ 104,75 bilhões. É o menor patamar desde 16 de janeiro de 2023, quando o banco era avaliado em R$ 101,62 bilhões. Os dados são de Einar Rivero, da consultoria Elos Ayta.

Trata-se da maior desvalorização diária em 2 anos. O pico do valor de mercado do BB se deu em 6 de fevereiro de 2024, quando o banco era avaliado em R$ 170,09 bilhões. De lá para cá, houve uma queda acumulada de R$ 65,34 bilhões.

“O recuo das ações do Banco do Brasil nesta semana acende um sinal de alerta sobre a confiança do mercado em relação à instituição, e, em sentido mais amplo, ao setor bancário tradicional. O retorno ao nível de valor de mercado observado no início de 2023 mostra que o banco está, aos olhos do mercado, praticamente no ponto de partida após quase dois anos de volatilidade”, afirma Einar.

Analistas do mercado financeiro projetam ganhos mais modestos para o Banco do Brasil no 2º trimestre de 2025. O BTG Pactual publicou um relatório nesta 6ª feira (1º.ago) em que revisou para baixo em 23% o lucro líquido que o BB terá –agora, estima R$ 5 bilhões.

Por Poder 360

Haddad quer falar com secretário americano antes de Lula ligar para Trump

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (1º) que pretende conversar com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, na próxima semana, para tratar das tarifas de 50% impostas por Washington a parte das exportações brasileiras. Segundo o ministro, o encontro pode abrir caminho para um eventual diálogo direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano, Donald Trump.

“Ainda não há data definida, mas essa reunião é essencial para esclarecer os impactos da medida e retomar os canais de negociação”, disse Haddad. Ele destacou que o governo brasileiro considera a decisão dos EUA unilateral e que pretende apresentar argumentos técnicos sobre os impactos econômicos e legais da medida.

Trump afirmou que Lula pode ligar “quando quiser” para discutir as tarifas. A declaração foi dada a jornalistas no jardim da Casa Branca. “Acho ótimo. A recíproca também é verdadeira. O presidente Lula estaria disposto a receber um telefonema dele quando ele quiser”, respondeu Haddad ao ser questionado sobre a fala do líder americano.

A sobretaxa, decretada no final de julho, foi justificada por Trump como uma resposta a ações “incomuns” e “extraordinárias” do governo brasileiro, classificadas como ameaça à segurança nacional dos EUA. Apesar disso, cerca de 44,6% das exportações do Brasil foram poupadas da tarifa, incluindo produtos como petróleo, celulose, suco de laranja, minério de ferro e aviões.

Além do impacto comercial, a agenda entre Brasil e Estados Unidos pode incluir a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O governo americano impôs sanções ao magistrado no mesmo decreto que anunciou o tarifaço. Haddad afirmou que pretende esclarecer a Bessent como funciona o sistema judiciário brasileiro e rebater o que chamou de “desinformação” sobre o tema. O presidente Lula também se manifestou nas redes sociais nesta sexta. Disse que o Brasil “sempre esteve aberto ao diálogo” e que continuará defendendo sua economia, empresas e trabalhadores. “Quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições”, escreveu.

Paralelamente, o governo federal discute medidas para mitigar os impactos da tarifa. No Ceará, por exemplo, o governador Elmano de Freitas e Haddad avaliaram a possibilidade de que o Estado e prefeituras comprem alimentos prejudicados pela medida, como peixes e frutas, para uso em programas sociais. Ainda não há previsão de um encontro presencial entre Lula e Trump. Segundo Haddad, tudo dependerá dos desdobramentos da conversa com o secretário do Tesouro americano.

Por Jovem Pan News

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Mistura de etanol na gasolina e de biodiesel no diesel aumenta a partir desta sexta-feira

Mistura de etanol na gasolina sobe para 30% e de biodiesel no diesel vai a 15%; impacto no preço deve variar até R$ 0,02 por litro.

Entram em vigor nesta sexta-feira (1º) os novos percentuais de biocombustíveis nos combustíveis fósseis, conforme decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) tomada no mês passado.

  • A mistura de etanol na gasolina passa de 27% para 30%
  • enquanto o percentual de biodiesel no diesel sobe de 14% para 15%.

O governo justifica a mudança dizendo que os conflitos no Oriente Médio geram instabilidade sobre o preço do petróleo e podem levar a aumentos repentinos no preço do combustível no Brasil. Com o aumento de biocombustíveis — produzidos no Brasil — nas misturas, as oscilações ficam menores. O país quer diminuir a dependência externa.

O biocombustível também é menos poluente que combustível à base de petróleo.

Impacto no bolso

A mudança deve ter impacto direto no bolso dos consumidores. Segundo Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), o aumento na proporção de etanol na gasolina pode gerar uma leve redução no preço, de até R$ 0,02 por litro, devido à alta oferta do produto durante o pico da safra da cana-de-açúcar.

“A tendência, no entanto, é de que esse cenário mude após o fim da safra, com possível alta nos preços”, alerta.

No caso do biodiesel, o efeito é inverso: o aumento de 1 ponto percentual de biodiesel na mistura deve elevar o preço do diesel em cerca de R$ 0,02 por litro.

“O biodiesel custa quase o dobro do diesel de petróleo. Com a nova mistura, esse custo extra será repassado ao consumidor”, afirma Araújo.

Apesar do impacto, o diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, minimiza o aumento.

“Essa diferença tende a ser imperceptível, considerando que, em um mesmo bairro, é comum encontrar variações superiores a R$ 0,20 por litro entre os postos”, diz.

Para Tokarski o aumento da mistura elevará a produção em cerca de 60 milhões de litros de biodiesel até o fim de 2025.

por g1 — Brasília

Dos 10 produtos mais exportados do RN para os EUA, só 2 escaparam do tarifaço de Trump

Entre os principais produtos exportados do RN para os EUA que serão taxados, estão pescados, sal marinho, frutas e confeitos. Só óleo de petróleo e pedras de construção ficaram de fora

Dos dez produtos mais exportados do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos no ano passado, só dois escaparam do tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. São eles: óleos de petróleo e pedras de construção, como o granito. Os demais produtos passarão a ser submetidos a uma taxa de 50%, o que praticamente inviabilizará a entrada desses itens potiguares no mercado americano.

Os dois produtos que escaparam do tarifaço estão em uma lista de 694 exceções que o governo americano definiu para a sobretaxa sobre as mercadorias brasileiras. Fora esses itens, o restante vai receber uma tarifa adicional de 40%, elevando o valor total da sobretaxa para 50% —considerando os 10% anunciados em abril. As taxas devem entrar em vigor em 6 de agosto, segundo anúncio da Casa Branca.

Entre os principais produtos exportados do RN para os EUA que serão taxados, estão pescados, sal marinho, frutas e confeitos (como caramelos, pirulitos e pastilhas). A Casa Branca informou que a castanha-do-pará está entre as exceções – há uma dúvida se isso inclui castanha de caju, que está também entre os itens mais exportados do RN para os EUA.

Em 2024, no total, o RN exportou US$ 67,1 milhões em produtos para os Estados Unidos. Neste ano, antes do anúncio do tarifaço, as vendas estavam em alta. De janeiro a junho de 2025, segundo a Federação das Indústrias (Fiern), foram exportados US$ exatamente 67,1 milhões – ou seja, em apenas seis meses, o volume de exportação foi equivalente ao ano passado inteiro.

Drama dos setores de sal e pesca

Segundo a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), sal, pescados e confeitos representam cerca de 80% de tudo o que é exportado do Estado para o mercado americano. “O desafio agora é buscar uma reversão nesse pequeno período (até 6 de agosto). A gente tem essa esperança, acredita que isso possa ser resolvido com uma relação diplomática inteligente”, afirmou o presidente da Fiern, Roberto Serquiz, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira 31.

No caso específico do sal, quase metade do que é exportado do RN para fora do Brasil vai para os Estados Unidos. São cerca de 550 mil toneladas por ano, segundo o Sindicato da Indústria do Sal do RN (Siesal).

O presidente do Siesal, Airton Torres, afirma que o setor emprega 4 mil pessoas diretamente e que essas vagas estão ameaçadas. Ele conta que há poucas opções de novos mercados para o sal potiguar. Por se tratar de produto de baixo valor, a mercadoria não é competitiva para exportar para longas distâncias. Além disso, a Europa, que poderia ser uma opção, já é autossuficiente em sal e importa pouco.

A pesca também passa por uma situação delicada. Segundo Arimar França Filho, presidente do Sindicato da Indústria da Pesca do RN (Sindipesca), o segmento contrata cerca de 1.500 trabalhadores – que também estão com os empregos ameaçados. Ele afirma que um potencial mercado para os pescados brasileiros seria a Europa, mas o continente aplica um embargo aos produtos brasileiros desde 2018. “Precisa de um trabalho do Governo Federal para que isso seja mudado”, declarou Arimar, em coletiva de imprensa também nesta quinta-feira.

Enquanto uma solução não é apresentada, embarcações já não vão para o mar nos próximos dias. Ele diz também que o próprio abastecimento interno poderá ser afetado, pois todo o setor fica prejudicado com a saída do mercado principal (os EUA).

“A exportação para os Estados Unidos é responsável por 80% da exportação de pescados do Rio Grande do Norte. No caso da pesca industrial (oceânica, de atum) é 100% Estados Unidos. Além disso, os EUA representam entre 70% e 80% do faturamento das empresas. O tarifaço vai inviabilizar a saída dos barcos. Nessa próxima rodada, a maioria das embarcações já estão em terra. E vai inviabilizar, porque os outros 30% do faturamento eram agregados à exportação. Se não tem mercado principal, não tem como as embarcações saírem”, declarou Arimar.

Sobre possíveis demissões, ele afirma que o momento é de cautela. “A gente não quer demitir. A gente está conversando com a Delegacia Regional do Trabalho, discutindo uma forma de fazer afastamento, treinamento para o pessoal por um período. A gente acredita que, nos próximos meses, isso será revertido. Ou ao menos um pouco aliviado”, concluiu.

Entenda a taxação

A sobretaxa de 50%, que havia sido anunciada por Donald Trump no dia 9 de julho, foi confirmada nesta quarta-feira 30 através de um decreto presidencial. Está entre as maiores implementadas para países que exportam aos EUA e possui motivação mais política que econômica.

O decreto que implementa as tarifas cita o nome de Jair Bolsonaro (PL) e diz que o ex-presidente —réu no STF (Supremo Tribunal Federal) em processo que apura trama golpista em 2022— sofre perseguição da Justiça brasileira.

Em comunicado, a Casa Branca disse que a medida oficializada nesta quarta visa “lidar com as políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.

“Membros do governo do Brasil têm tomado medidas que interferem na economia dos EUA, infringem os direitos de liberdade de expressão dos cidadãos norte-americanos, violam os direitos humanos e minam o interesse dos Estados Unidos em proteger seus cidadãos e empresas.”

O texto diz ainda que políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro ameaçam a segurança nacional, a política externa e a economia dos EUA. Também acusa o Brasil de violar direitos humanos.

por Agora RN

Lula convoca reunião emergencial após tarifaço de Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silvaconvocou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto, em Brasília, na tarde desta quarta-feira, 30. O encontro visa debater o impacto da nova sobretaxa imposta pelo governo de Donald Trump sobre produtos exportados pelo Brasil.

A medida, anunciada pela Casa Branca, eleva a tarifa total para 50%, e é justificada pelos Estados Unidos como uma resposta a ações do governo brasileiro que supostamente ameaçam a segurança e a economia norte-americana, incluindo menções à situação política de Jair Bolsonaro e ao ministro Alexandre de Moraes.

Reações à guerra tarifária americana

O documento assinado pelo presidente Donald Trump estabelece uma tarifa adicional de 40%, elevando a alíquota total para 50% sobre produtos brasileiros exportados. As novas taxas entrarão em vigor em sete dias, a partir da data de publicação do decreto, que ocorreu nesta quarta-feira. O documento prevê isenções para certas categorias de produtos, como alimentos específicos, minérios, bens de energia e artigos relacionados à aviação civil.

A justificativa oficial para esta imposição, de acordo com o comunicado da Casa Branca, é a necessidade de “lidar com as políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.

O texto menciona explicitamente o nome de Jair Bolsonaro (PL), afirmando que ele sofre perseguição por parte do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Resposta brasileira e reunião de emergência

A pauta da reunião emergencial convocada pelo presidente Lula terá como prioridade uma avaliação detalhada da extensão da decisão norte-americana e a formulação de estratégias para mitigar seus efeitos adversos no Brasil.

O governo espera identificar medidas para auxiliar setores econômicos diretamente afetados e garantir a manutenção de postos de trabalho. A crise pode afetar principalmente as multinacionais que possuem fábricas no território brasileiro, conforme levantamentos iniciais.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que tem desempenhado um papel ativo no contato com o setor empresarial e nas tentativas de negociação com as autoridades americanas, é um dos participantes confirmados no encontro.

A lista de convidados inclui os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Jorge Messias (Advocacia-Geral da União). Em razão de viagem aos Estados Unidos, o chanceler Mauro Vieira será representado por um secretário do Itamaraty.

Presidentes das 4 principais montadoras que atuam no Brasil avisam Lula que vão demitir se vier pacote pró-China

Os presidentes das 4 principais montadoras que atuam no Brasil escreveram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 15 de junho de 2025, falando sobre o forte impacto que uma medida pronta para ser adotada causará no setor. A mando do Palácio do Planalto e sob coordenação do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), a administração petista pretende baixar uma norma para incentivar a produção de carros cujas peças e componentes são 100% produzidos no exterior.

As empresas mais beneficiadas devem ser as montadoras chinesas. Por esse sistema conhecido como SKD (Semi Knocked Down), a empresa quase nunca contrata fornecedores no Brasil e a geração de empregos é muito pequena.

Assinaram a carta:

Ciro Possobom, da Volkswagen;

Evandro Maggio, presidente da Toyota;

Emanuele Cappellano, da Stellantis;

Santiago Chamorro, da GM (General Motors).

IMPACTOS

As montadoras brasileiras haviam anunciado recentemente cerca de R$ 180 bilhões de investimentos no Brasil em 5 anos, dos quais R$ 130 bilhões para o desenvolvimento e produção de veículos e outros R$ 50 bilhões para o parque de autopeças. Essa cifra será cortada em pelo menos R$ 60 bilhões.

As empresas estimam ainda que deixarão de contratar 10.000 trabalhadores e que 5.000 empregados atuais poderão ser demitidos.

A carta ressalta que o impacto não se restringiria apenas às montadoras. Para cada trabalhador demitido nessas empresas, outros 10 empregos podem ser perdidos na rede de fornecedores, ampliando o efeito negativo sobre toda a cadeia produtiva automotiva.

Ou seja, o impacto nesse caso tende a ser multiplicado por 10 na cadeia de sistemistas, com um corte total de 50.000 postos de trabalho.

“Essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra”, diz trecho do documento.

Os executivos defendem que a política industrial brasileira privilegie a produção local, “vetando privilégios para a importação de veículos desmontados ou produzidos no exterior com subsídios”.

Sem resposta

Lula não responde à carta conjunta da Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis. A correspondência também foi enviada para Rui Costa e para Geraldo Alckmin (PSB), que é vice-presidente da República e também ministro da Indústria e do Comércio.

Rui Costa é político que fez carreira na Bahia, onde foi governador por 2 mandatos. É na Bahia que está o grande investimento da chinesa BYD, que vai se beneficiar da medida que está para ser editada pelo governo Lula e incentivar a produção de carros no sistema SKD.

Medidas em análise no governo

O Gecex-Camex (Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior), colegiado formado por integrantes de 11 ministérios do governo Lula, realizará uma reunião extraordinária na 4ª feira (30.jul.2025) para deliberar sobre medidas que podem beneficiar a indústria chinesa de automóveis no Brasil. As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo no domingo (27.jul).

Segundo a publicação, os pleitos que serão analisados são da montadora chinesa BYD. Em fevereiro, a empresa pediu ao governo a redução de imposto de importação de kits SKD e CKD (Completely Knocked Down), de 5% no caso dos carros elétricos e 10% no caso dos híbridos. As taxas atuais são, respectivamente, de 18% e 20%.

Por Poder 360

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RN é pioneiro no Brasil na produção de combustível sustentável de aviação

Quando o assunto é descarbonização, o Rio Grande do Norte desponta como uma potência nacional, com protagonismo em áreas como energias renováveis, graças ao potencial local e às pesquisas encabeçadas por diversos atores potiguares. Mas o estado também é pioneiro em soluções sustentáveis para a aviação, um setor crucial na redução dos impactos das mudanças climáticas em todo o mundo. O destaque, nesse caso, é fruto do trabalho de uma equipe do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), em Natal, que desenvolveu um combustível sustentável para aviação (SAF) a partir de glicerina.

Os resultados do projeto — a primeira planta-piloto para produção de SAF no Brasil — foram entregues no ano passado. O trabalho é coordenado pela pesquisadora Fabíola Correia, responsável pelos estudos realizados no Laboratório de Hidrogênio e Combustíveis Avançados (H2CA) do ISI-ER. O H2CA foi inaugurado em setembro de 2023 pelo Instituto Senai e a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável. Fabíola explica que as pesquisas sobre combustíveis começaram em 2008, numa época em que a urgência climática era pouco discutida, com processos voltados à chamada gasolina e diesel verdes.

Os estudos sobre SAF começaram apenas em 2017, impulsionados pelas demandas de descarbonização, por iniciativa do ISI-ER e da Rede Brasileira de Bioquerosene e Hidrocarbonetos Sustentáveis para Aviação (RBQAV), da qual Fabíola faz parte. SAF é a sigla em inglês para Sustainable Aviation Fuels, um combustível alternativo para aeronaves produzido a partir de fontes que atendem a padrões de sustentabilidade. As opções de matéria-prima são inúmeras, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, a exemplo de resíduos da agricultura, óleo usado de cozinha, gorduras, cana-de-açúcar e milho, entre outras.

No projeto desenvolvido pelo ISI-ER, a matéria-prima utilizada foi a glicerina, fruto de um estudo anterior. “A glicerina é um resíduo da indústria de biodiesel, um subproduto com pouco valor agregado que às vezes se torna até um problema devido à alta produção. Buscamos trabalhar dentro dos conceitos de economia circular, trazendo subprodutos industriais de menor valor para produzir matéria-prima de baixo custo e convertê-la em um produto de alto valor”, afirma Fabíola.

Em 2021, a glicerina começou a ser estudada no ISI-ER em parceria com a GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit), a Cooperação Técnica Alemã. “O órgão nos identificou justamente por conta do nosso histórico em pesquisas com combustíveis desde 2008”, conta a pesquisadora. Da parceria firmada em 2021 surgiu o H2CA, dois anos depois, o que permitiu elevar o grau de maturidade tecnológica do projeto para um nível mais próximo da indústria, chamado TRL (Technology Readiness Level).

A escala TRL varia de 1 a 9. Quanto maior o número, mais próxima a tecnologia está do nível industrial. “Com a planta-piloto, saímos de um TRL 4 para 6 e 7. Isso é importante porque agora conseguimos validar nossos processos sem a preocupação de fazer mudanças ao apresentar os resultados à indústria, como acontecia em pesquisas com menor TRL”, conta Fabíola Correia.

Produção

A produção de combustíveis avançados, como é o caso do SAF, requer um gás de síntese produzido a partir da junção de uma molécula de hidrogênio (H) e uma molécula de monóxido de carbono (CO). A extração desses dois gases na glicerina se dá por meio de um processo termoquímico. Nele, o foco é o uso adequado da temperatura e de um catalisador para retirar da matéria-prima (a glicerina é formada por carbono, hidrogênio e oxigênio) a molécula de hidrogênio de CO, que passará, a partir daí, para uma nova fase, chamada de síntese de Fischer-Tropsch. Esta é uma tecnologia alemã da década de 1930 utilizada durante a Segunda Guerra Mundial que transformava carvão em diesel. Com a tecnologia, hidrogênio e CO sofrem um rearranjo para formar a cadeia do combustível composta pelos dois gases.

Pesquisas sobre SAF começaram em 2017, no ISI-ER | Foto: Magnus Nascimento

“Esse rearranjo é alcançado com pressão, temperatura e catalisadores adequados para obter a cadeia do querosene de aviação como SAF e também como diesel. No caso do SAF, são necessários ainda dois outros processos, porque a cadeia de hidrogênio e CO possui um pouco de oxigênio, o que não pode acontecer, já que o combustível precisa ser idêntico ao querosene fóssil. Isso é fundamental para que não seja necessário alterar a infraestrutura das aeronaves”, pontua Fabíola Correia.

Os processos seguintes consistem em extrair o oxigênio e, em seguida, realizar a isomerização — etapa em que a molécula de hidrogênio e CO é igualada à molécula do combustível fóssil. O projeto finalizado foi entregue à GIZ, junto com um estudo de viabilidade técnica e econômica e o design de uma unidade industrial. Segundo Fabíola, entretanto, a chegada do produto ao mercado depende de políticas públicas que ainda precisam ser desenvolvidas.

“Nós já temos regulação por parte da ANP [Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis], mas o SAF é algo novo, que requer tempo para produção. Há diversas iniciativas, como a construção de plantas voltadas a esse fim, com o objetivo de atender o País, considerando a Lei do Combustível do Futuro, recém-aprovada e que estabelece a obrigatoriedade do uso de SAF para reduzir a emissão de carbono a partir de 2027. O Brasil terá que correr bastante até lá, então o importante é criar iniciativas para produção, uma vez que regulação nós já temos”, afirma a pesquisadora.

Contudo, ela reconhece: as iniciativas dependem de incentivos ainda inexistentes.

Fabíola lembra que todo novo produto, especialmente se tratando de biocombustíveis, vem acompanhado de altos custos. Por isso, ela destaca a necessidade de benefícios para evitar o encarecimento do setor de aviação. “A depender da rota, o SAF poderá elevar em até cinco vezes os custos. Sem incentivos fiscais, isso será remetido ao consumidor final, o que é inadmissível. Essa é nossa principal barreira no Brasil. É preciso também ampliar as tecnologias para a produção – hoje são 11 certificadas no País e há outras em aprovação”, frisa.

A pesquisadora reforça que é necessário expandir a certificação de tecnologias, considerando a diversidade de matérias-primas disponíveis no País, …

Itamaraty minimizou preocupação dos EUA com Bolsonaro, diz oficial de Trump

Um funcionário sênior da administração de Donald Trump afirmou que não vê possibilidade de qualquer negociação adiar a entrada em vigor das tarifas de 50% contra o Brasil a partir do dia 1º de agosto. Isso porque até o momento o país não apresentou nada “sério” a ser negociado. O argumento é o mesmo ventilado nos bastidores pela Casa Branca ontem, de que nenhum avanço aconteceu porque os brasileiros não se “engajaram suficientemente” para isso.

As informações são da jornalista Mariana Sanches, colunista do UOL em Washington D.C..

Questionado sobre qual seria o engajamento esperado do Brasil neste momento, este funcionário, que pediu anonimato para comentar o assunto por não ter autorização para falar sobre o tema publicamente, afirmou que a discussão não pode se pautar apenas em comércio, já que a preocupação primordial de Trump seria outra.

“O Itamaraty minimizou as preocupações de Washington sobre o ex-presidente Bolsonaro e a liberdade de expressão, em detrimento de seu governo e de seu povo. O assunto agora se agravou muito além das expectativas deles”, afirmou o funcionário da gestão Trump.

Na carta em que anunciou as tarifas contra o Brasil, em 9 de julho, Trump chamou de “caça às bruxas” o processo judicial a que o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) responde. Entre outros crimes, ele é acusado de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito —os quais nega. Além disso, Trump acusava o STF (Supremo Tribunal Federal) de censurar cidadãos americanos e prejudicar os interesses comerciais de big techs americanas. Desde a divulgação da carta, a gestão Trump e o próprio presidente repetiram diversas vezes o argumento de que Bolsonaro é um perseguido político.

As declarações ecoam o teor da campanha feita há meses em Washington pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo comentarista político Paulo Figueiredo por punições ao Brasil que possam forçar as autoridades do país a aprovar uma anistia a Bolsonaro, a seus aliados e a seus apoiadores.

Além das tarifas, os EUA iniciaram uma investigação por supostas práticas desleais de comércio do Brasil, e o Departamento de Estado anunciou restrição de acesso ao território americano ao ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo contra Bolsonaro, e ao que chamou de “seus aliados da corte”, em referência a outros sete ministros e a Paulo Gonet, procurador-geral da República. Mas novas ações de Washington são esperadas, tanto por bolsonaristas como pelo Itamaraty. Uma fonte do governo americano afirmou à coluna já ter visto o formulário escrito para impor sanções financeiras da Lei Global Magnitsky contra Moraes.

“O presidente Trump foi claro e o governo americano dispõe de uma ampla gama de ferramentas que pode — e irá — usar para promover suas prioridades. Moraes e sua turma apenas testemunharam o início disso. Isso está longe de acabar”, disse esta fonte do governo Trump.

Até o momento, Trump escolheu não abrir conversas entre a Casa Branca e o Planalto para tentar diminuir a crise bilateral. O governo brasileiro segue fazendo esforços para sensibilizar a gestão do republicano e aposta especialmente em pesos pesados do PIB dos EUA, que terão seus negócios afetados pelo tarifaço, para desbloquear o canal.

Trump já mobilizou tarifas como instrumento de pressão diplomática e comercial contra quase duas centenas de países, entre aliados e adversários. Mas em nenhum desses casos, o republicano exigiu interferência no Judiciário do país para abrir negociação. Até o momento, o governo brasileiro não fez e afirma que não fará concessões políticas ou judiciais aos Estados Unidos. Em Brasília, tal condição para a negociação é vista como extorsão.

“O Brasil não vai negociar sua soberania ou a independência de Poderes com quem quer que seja. Com nenhum outro país do mundo com o qual estão negociando tarifas, os EUA fizeram exigências como esta, de interferência aberta e indevida em assuntos de ordem doméstica. O Brasil segue disposto a negociar nos temas em que uma negociação é possível, mas não aceitará ingerência estrangeira em questões internas. A independência do Poder Judiciário vale tanto nos EUA quanto no Brasil”, afirmou um embaixador brasileiro com conhecimento direto das negociações.

O embaixador Tom Shannon, que liderou a embaixada americana em Washington durante a gestão de Barack Obama, afirma à coluna que a resposta do Itamaraty até o momento foi “óbvia”, já que o Brasil não poderia ceder ao que considerou “um movimento sem precedentes de um presidente americano de usar tarifas para abertamente interferir em assuntos políticos”.

Segundo Shannon, que também é ex-subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, a situação agora “é muito ruim” e o interesse de Trump é “100% em Bolsonaro”. “Brasil está pronto para negociar, mas não existe nenhum interlocutor com quem o país possa ter conversas significativas agora. Trump crê que conseguirá forçar o Brasil a recuar no caso Bolsonaro. Não irá conseguir atingir seu objetivo mas até se convencer disso, a grande perdedora será a relação bilateral”, diz Shannon.

Em um artigo de opinião publicado há dois dias, a revista britânica The Economist afirmou que, “desde o fim da Guerra Fria”, os EUA “raramente” interferiram “tão profundamente” em um país latino-americano como Trump tem tentado fazer com a taxa de 50% direcionada ao Brasil por motivos políticos. A publicação porém destaca que, em vez de fortalecer a direita para a disputa eleitoral de 2026, a medida da Casa Branca até agora fortaleceu a posição de Lula, que deve disputar a reeleição.

Por UOL, coluna da Mariana Sanches

Setor gastronômico cresce 182% em cinco anos na zona Norte de Natal

A zona Norte de Natal, conhecida como uma das áreas mais populosas da cidade, vem consolidando um novo momento econômico com o fortalecimento do setor gastronômico. Bares, restaurantes e lanchonetes se multiplicam em avenidas como Paulistana, Maranguape e Itapetinga – todas no bairro Potengi – impulsionados por mudanças no Plano Diretor e pelo aumento da procura por empreendimentos de alimentação fora do lar. Dados fornecidos pelo Sebrae apontam que entre 2020 e 2025 o número de empresas do setor na região saltou de 185 para 522, uma variação de 182%. A expansão tem sido acompanhada por investimentos em qualificação, marketing e experiência do cliente, o que são diferenciais para os negócios locais.

Entre os nomes que se destacam nesse movimento de transformação está Matt Dantas, idealizador e proprietário do Seu Nelson na Brasa, uma steakhouse e hamburgueria localizada na Av. Maranguape. Fundado em 2021, o negócio começou de forma despretensiosa, com a venda de hambúrgueres para amigos e vizinhos durante a pandemia. Com o tempo, a proposta evoluiu para um espaço que reúne hambúrguer, petisco e costela, tudo na brasa, em um ambiente pensado para toda a família. Hoje, a marca conta com três unidades, entre zona Norte, Areia Preta e Parnamirim, e emprega diretamente cerca de 50 pessoas.

Com a inspiração na cozinha do avô, Seu Nelson, e a vontade de criar um espaço com identidade própria, Matt construiu um modelo de negócio centrado na experiência gastronômica. “Eu acho que meu diferencial é que tudo aqui é uma criação realmente nossa. É focar nas coisas que eu gosto, nas coisas que meu avô fazia, mas principalmente perguntar aos clientes se está bom ou não. Nós escutamos o cliente para fornecer aquilo que ele quer ter, a experiência que ele quer ter do que seja feito através da nossa churrasqueira”, conta.

A trajetória do Seu Nelson na Brasa reflete a mudança no comportamento do consumidor da região, que passou a valorizar mais os estabelecimentos locais, especialmente devido aos problemas de mobilidade que dificultam o trânsito ente a zona Norte e outras regiões administrativas da cidade. “Quando houve problemas com a ponte, muita gente que ia para outras zonas passou a consumir aqui. Hoje, o público mora, trabalha e se diverte na zona Norte”, avalia.

A história de Matt se entrelaça com a própria evolução da zona Norte como destino gastronômico. O Seu Nelson na Brasa hoje é um dos principais pontos de encontro da região, com movimentação de aproximadamente 600 pessoas por noite durante os fins de semana e um ticket médio superior às demais unidades. Enquanto os clientes de Areia Preta e Parnamirim gastam cerca de R$ 40,00, na unidade da zona Norte o valor costuma ser superior a R$ 100,00.

“Eu sempre ouvi que aqui não ia dar certo, que ninguém pagaria R$ 20,00 em um hambúrguer aqui. Mas eu acreditava no potencial do público da zona Norte, sempre quis oferecer algo de qualidade, como se fosse um churrasco de família, e isso se tornou nosso diferencial. Tudo gira em torno da brasa, das receitas que aprendi com meu avô e do contato direto com os clientes”, conta Matt.

Segundo Thales Medeiros, gerente da Agência Sebrae Grande Natal, esse cenário de crescimento de negócios demonstra o potencial econômico da região. “A gente percebe que é um espaço promissor de desenvolvimento de negócios na cadeia de alimentos e bebidas, com uma certa variação entre abertura e fechamento de empresa, com saldo positivo de mais de 50 empresas”, afirma.

A Jacuba Lanches, de César Kemps, é outro negócio que exemplifica essa transformação. Inaugurada em dezembro de 2021, a empresa nasceu para gerar renda à família e rapidamente cresceu, tornando-se um dos pontos mais movimentados da região e totalizando 11 funcionários. “Antigamente, tudo tinha que ser resolvido no centro ou na zona Sul. Hoje, o pessoal prefere ficar por aqui mesmo. Isso ajudou bastante, porque quem mora aqui quer resolver tudo perto de casa”, relata.

A aposta na qualidade também tem sido um diferencial. Situada nas proximidades da Av. Dr. João Medeiros Filho, o empreendimento recebe desde pessoas que circulam na região até os clientes fiéis. “Eu comecei com salgados comuns, mas percebi que precisava oferecer algo melhor. Foi aí que comecei a trabalhar com receitas diferenciadas, como o pastel de Tangará e uma coxinha de receita própria, que alavancaram as vendas”, diz. Hoje o espaço conta com uma circulação média de 200 pessoas por dia em loja física, além de cerca de 70 vendas através do delivery.

Essas ações são reiteradas pelo Sebrae como boas práticas que favorecem o fortalecimento dos negócios na região. “Na experiência com o cliente, nós também estamos dialogando com ele, estamos interessados em atender às suas reais necessidades, e por isso a gente também vai sempre procurar entender o que seria mais interessante para o cliente, o que ele procura mais em termos de serviços, de experiência, o que ele está disposto a pagar também”, considera Thales Medeiros.

Plano Diretor impulsiona investimentos

O novo Plano Diretor de Natal tem sido apontado como um dos principais motores da retomada de investimentos na cidade, especialmente na zona Norte. As alterações nas regras urbanísticas e a desburocratização dos licenciamentos abriram caminho para a multiplicação de empreendimentos, incluindo novos bares, restaurantes e projetos imobiliários. A região, que já se destaca pela força do comércio e do setor gastronômico, vem recebendo atenção crescente do mercado e da construção civil.

“A primeira mudança significativa que a gente tinha convicção que em todas as regiões administrativas ia aumentar, mas especialmente na zona Norte e zona Sul, é o uso misto em todas as regiões administrativas. Ou seja, qualquer área, qualquer lote do município de Natal, você pode construir tanto a parte comercial quanto a parte residencial”, explica Thiago Mesquita, secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (Semurb).

Entre os avanços urbanísticos, o secretário destaca que a zona Norte foi beneficiada com maior potencial construtivo e incentivos em eixos de mobilidade, como as avenidas João Medeiros Filho, Pompeia e Paulistana. “Na …