Negócio milionário de familiares de Toffoli cruza caminho de fundo ligado ao caso Master

Irmãos do ministro do STF Dias Toffoli venderam uma fatia milionária no resort Tayaya, em Ribeirão Claro (PR), a um fundo da Reag Investimentos — gestora investigada por abrigar estruturas financeiras ligadas ao Banco Master e suspeitas de sonegação bilionária no setor de combustíveis. Embora Toffoli não tenha participação formal no empreendimento, ele frequenta o resort; irmãos e um primo chegaram a integrar a sociedade.

O Arleen Fundo de Investimentos, da Reag, aportou cerca de R$ 20 milhões em empresas da família responsáveis pelo resort de 58 mil m². Em 2021, a Maridt Participações S.A., com José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli na direção, tornou-se sócia do empreendimento. Documentos indicam que a participação dos irmãos alcançou R$ 1,37 milhão na Tayaya Administração e outros R$ 5,4 milhões na DGEP Empreendimentos, vendidas parcialmente ao Arleen no mesmo dia.

O caso ganha relevo porque Toffoli é relator do inquérito do Banco Master no STF, que envolve a Reag. A gestora foi alvo da Polícia Federal por suposta lavagem de dinheiro e por abrigar fundos usados por investigados por sonegação e vínculos com o PCC. Em novembro de 2025, após a Operação Carbono Oculto, o Arleen teve sua liquidação aprovada; dias depois, o dono do Master, Daniel Vorcaro, foi preso.

Auditorias apontaram ausência de documentos para validar demonstrações financeiras do Arleen e citaram preocupação com os desdobramentos da investigação. Procurados, Toffoli, familiares, o resort e a Reag não se manifestaram. A defesa de Vorcaro negou irregularidades e afirmou que o Banco Master não tem relação com os fundos citados.

Por Estadão

Empresa ligada ao “Careca do INSS” pagou R$ 700 mil a futura ministra do STM

Uma empresa apontada pela Polícia Federal como parte do esquema financeiro do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, pagou R$ 700 mil ao escritório de advocacia da hoje ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Abdalla Sterman. O repasse aparece em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf enviado à CPMI do INSS e foi feito pela ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, antes da posse da magistrada na Corte.

A informação é da colunista Andreza Matais, do Metrópoles. O pagamento ocorreu em parcela única, entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, período em que a conta da empresa no Banco do Brasil movimentou mais de R$ 266 milhões. Apesar do valor elevado, não há registro público de processos em que Verônica Sterman tenha atuado em favor da ACX ITC ou de outras empresas do grupo investigado. A mesma empresa também repassou R$ 595 mil ao escritório do ex-ministro do STJ Nefi Cordeiro, igualmente após sua saída do tribunal.

Em nota, a ministra afirmou que desconhece qualquer vínculo da ACX ITC com o “Careca do INSS” e explicou que o valor recebido se refere à elaboração de três pareceres jurídicos criminais solicitados pela empresa quando ela ainda exercia a advocacia. Segundo Sterman, os serviços foram prestados regularmente e a relação profissional se encerrou com a entrega dos pareceres.

A ACX ITC é considerada pela PF uma das firmas usadas para pulverizar e ocultar recursos do esquema, tendo recebido ao menos R$ 4,4 milhões de uma empresa de fachada ligada diretamente ao Careca. Apesar de declarar capital superior a R$ 100 milhões, a companhia tem presença digital quase inexistente e já foi citada em investigações sobre pirâmide financeira, além de responder a ações judiciais de investidores que afirmam ter sido lesados.

Por Metrópoles