BNB concede quase R$ 3 bilhões em crédito para empreendedores do RN

Jeová Lins de Sá é superintendente do Banco do Nordeste (BNB) no RN - Foto: José Aldenir/Agora RN

Superintendente detalha resultados, condições de financiamento, setores em crescimento e metas ampliadas para o próximo ano

O Banco do Nordeste (BNB) deve fechar 2025 com quase R$ 3 bilhões em crédito concedido aos empreendedores do Rio Grande do Norte e já projeta ampliar ainda mais sua atuação no Estado em 2026. Em entrevista à TV Agora RN, o superintendente do banco no RN, Jeová Lins de Sá, afirmou que a instituição está próxima de atingir e superar a meta anual, impulsionada principalmente pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

“Nós recebemos uma meta de R$ 3 bilhões. Até o mês de novembro, chegamos a R$ 2,5 bilhões de FNE, com mais cerca de 400 milhões de capital de giro. Então a gente já está com uma quantia global de quase R$ 3 bilhões”, disse o superintendente. “No mês de dezembro nós vamos trabalhar até o dia 30 e temos a expectativa de fechar os R$ 3 bilhões de FNE, com mais esses R$ 400, R$ 500 milhões de crédito comercial”.

Segundo Jeová, a maior parte do volume de operações está concentrada nos pequenos e microempreendedores. “Nós financiamos desde as energias renováveis até o cidadão que está na base da pirâmide”, afirmou. Apenas o programa Agroamigo registrou “mais de 39 mil operações de crédito”, movimentando quase R$ 500 milhões. Já o Crediamigo somou “mais de R$ 600 milhões” e atendeu “109 mil pessoas, também a maioria mulheres”.

Ele destacou a importância do papel feminino no empreendedorismo local. “A gente gosta de enfatizar o fato da mulher, porque a gente vê na mulher muitas vezes a base central de uma família e empreendedora”, afirmou.

Somados, Crediamigo, Agroamigo e financiamentos para micro e pequenas empresas já representam R$ 1,5 bilhão em operações no Estado em 2025.

Juros baixos, prazos longos e bônus para quem paga em dia

O superintendente reforçou que as condições do FNE continuam sendo um diferencial do BNB frente ao sistema financeiro tradicional. “O crédito do banco, no caso do pequeno agricultor, tem crédito de 2,5% de juros ao ano e ainda com rebate na parte principal de 40%”, explicou. O benefício é garantido desde que o cliente esteja adimplente: “Pagou em dia, no final ainda tem um abatimento”.

Para micro e pequenas empresas, os juros giram em torno de 8% ao ano, com bônus de adimplência de até 15%. Já projetos maiores, como hotéis ou parques de energia renovável, podem ter prazo de até 25 anos e carências amplas. “Mesmo para os grandes, a taxa nunca vai ultrapassar 11% ao ano”, disse Jeová.

Parcerias e programas de apoio

O superintendente ressaltou que o banco não opera apenas como financiador. “O Banco do Nordeste trabalha em parcerias”, afirmou. Os programas Crediamigo e Agroamigo contam com orientação direta dos agentes de crédito, enquanto micro e pequenos empresários são atendidos em ações realizadas em conjunto com Sebrae, Senar e Emater.

Ele também destacou a atuação do Prodeter, programa de desenvolvimento territorial com 14 projetos no RN, que articula cadeias produtivas como caju, avicultura, bovinocultura, fruticultura e artesanato. “É um grande puxador de encadeamento das atividades econômicas”, disse.

Setores em expansão no RN

Jeová também comentou os segmentos que mais têm crescido no estado. Na agricultura, destacou a Chapada do Apodi e o avanço da fruticultura irrigada. “Está chegando a uva lá na Chapada do Apodi… a citricultura está crescendo demais… a banana está expandindo, a laranja, o limão, a tangerina”, afirmou.

No artesanato, ressaltou o protagonismo do Seridó. O turismo também segue como área estratégica: “Vai aproveitar nossa hotelaria, nossos restaurantes, nossas praias… e a gente está sempre à disposição para trabalhar essas cadeias produtivas”.

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Centro Cultural BNB em Mossoró

O Banco do Nordeste também ampliou sua presença no setor cultural. “Desde o ano passado a gente vem trabalhando a estruturação do Centro Cultural. Hoje é BNB Cultural, lá em Mossoró”, afirmou. A previsão é de entrega do equipamento até março de 2026.

Meta de R$ 3,7 bilhões para 2026

Com 2025 próximo da conclusão, o BNB já mira números maiores para o próximo ano. “Nós temos um grande e ótimo desafio, que é aumentar a nossa meta de FNE para R$ 3,7 bilhões, ou seja, 20 e poucos por cento de acréscimo”, afirmou Jeová. “Não vai faltar recurso para financiar a atividade produtiva do Estado”.

Ele acrescentou que o banco também está dedicando esforços ao Desenrola Rural, programa voltado a produtores endividados que enfrentaram perdas sem desvio de crédito. “A gente está recebendo e já abrindo as portas para fazer novos negócios”.

Apoio a produtores afetados pela seca

Diante da estiagem que atinge quase todos os municípios do RN, o superintendente afirmou que o BNB segue orientando produtores e renegociando dívidas quando necessário. “O banco procurou preparar os nossos clientes para enfrentamento de secas”, disse. Entre as recomendações estão formação de banco de proteína, manejo adequado do rebanho e estrutura hídrica mínima.

Para quem enfrenta perdas, o BNB tem buscado flexibilização. “A gente buscou fazer o escalonamento das dívidas para dar menos desconforto na vida”, afirmou. “O Banco do Nordeste é muito ciente dessas situações”, concluiu.

por Agora RN

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