Trocas de mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, divulgadas pelo jornal o Globo, elevaram a pressão política sobre o Supremo Tribunal Federal. As conversas demonstram uma proximidade entre Vorcaro e o ministro, que teriam se falado no dia da prisão do banqueiro, e consolidou suspeitas sobre práticas irregulares por parte de Alexandre de Moraes. Na última sexta-feira (07), o ministro divulgou nota onde afirma que as mensagens não eram direcionadas a ele, sem negar que teria conversado com o investigado. A Polícia Federal também informou que não vê, por enquanto, motivos para investigar Moraes. No entanto, cresce a pressão para que o ministro seja investigado.
A repercussão do episódio levou parlamentares da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a elevar o tom contra Moraes. Alguns chegaram a pedir a prisão do ministro após a divulgação de que o banqueiro Daniel Vorcaro teria trocado mensagens com o magistrado no mesmo dia em que seria preso pela Polícia Federal pela primeira vez, em novembro de 2025.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que a situação seria suficiente para justificar uma investigação. “Por muito menos o Alexandre de Moraes já teria prendido o Alexandre de Moraes. Esse cara precisa sair do STF. Não é impeachment, não, ele precisa ir direto para a prisão, responder por esses atos que não condizem com o magistrado”, disse.
Registros obtidos na investigação indicam que o número de celular atribuído ao ministro aparece na agenda de Vorcaro desde 26 de dezembro de 2023. As mensagens, segundo reportagens da imprensa, colocariam Moraes no centro de uma crise que envolve suspeitas relacionadas a um esquema estimado em cerca de R$ 50 bilhões.
De acordo com reportagem do jornal O Globo, a revelação ampliou a pressão política para que o Congresso avance em investigações sobre o caso do Banco Master. A instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) específica, porém, ainda encontra resistência entre parlamentares.
Nos bastidores, deputados e senadores avaliam que as conexões políticas do banqueiro podem acabar expondo integrantes do próprio Congresso. Parlamentares ouvidos pela publicação afirmam que há pouco espaço político e institucional para o avanço de novas frentes de investigação no curto prazo.
A CPI do INSS, que analisa dados obtidos com a quebra de sigilo de Vorcaro, está próxima do fim. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já sinalizou que não deve renovar os trabalhos da comissão.
Morte confirmada
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário” de Vorcaro, morreu nesta sexta-feira (6). O óbito foi confirmado em nota pela sua defesa. As investigações apontam que Sicário tinha papel central na organização criminosa e executava ordens de monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral.
por Tribuna do Norte


